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ACIC – Uma História Atuante e Vitoriosa

Esta associação deverá ser irmanada com um só ideal entre os seus sócios: o ideal de progresso para o bem não só da mesma, como de Cianorte, do Paraná e do Brasil. Albino Turbay.

ACIC Cianorte

Por Lenir Guilhem

A  ACIC Cianorte foi fundada em 12 de maio de 1963, devido a necessidade de representação da classe empresarial da cidade, que entrava em um período de expansão comercial e industrial, e teve sua primeira reunião realizada à rua Piratininga, s/nº, em prédio gentilmente cedido pelo senhor João Mafra, onde foi eleita sua diretoria e aprovado seu estatuto. A reunião teve a presença do prefeito municipal da época, senhor Antonio Rodrigues da Mota, que na oportunidade exaltou a personalidade daqueles que se prontificaram em preencher o que seria em suas palavras, descritas em Ata de mesma data, como uma entidade defensora da classe empresarial, que bem orientada deveria ser um baluarte em defesa não só dos interesses dos empresários, como também do município. Na mesma oportunidade o então presidente da ACIC, Albino Turbay, disse que uma organização como a ACIC poderia ser, não com atos ditatoriais, mas sim com a união entre todos, um elo para o fortalecimento da classe empresarial do município. “Esta associação deverá ser irmanada com um só ideal entre os seus sócios: o ideal de progresso para o bem não só da mesma, como de Cianorte, do Paraná e do Brasil”.

Nos seus primeiros anos, funcionando em diversos endereços em prédios locados, a ACIC acalentava o sonho de ter sua própria sede. Segundo os registros históricos da Associação, na época com menos de 100 sócios, seu patrimônio, relatado em 17 de junho de 1973, se resumia a: 47 cruzeiros em caixa, 3 escrivaninhas, 1 arquivo de aço, 4 cadeiras, 1 armário de madeira com divisões, 1 mimeógrafo danificado, 1 máquina de escrever, 1 perfurador para papéis, 1 grampeador, 12 carimbos e uma almofada para carimbos. Após inúmeras tentativas de conseguir terreno e verba, a ACIC constrói sua primeira ‘casa’, inaugurada em 26 de julho de 1991. Melhor estruturada e mais forte, ela foca seus objetivos na ampliação de sua cartela de associados.

Da data de sua fundação para os anos que se seguiram, principalmente na década de 70, a ACIC teve papel fundamental no desenvolvimento do município. Entre outros feitos, atuou no incentivo da urbanização da cidade, exigindo e oficiando insistentemente os órgãos competentes, para resolverem questões como o asfaltamento de ruas, avenidas e rodovias, melhoria de praças e galerias de águas pluviais. A avenida Paraíba por exemplo, foi asfaltada graças a insistência e intervenção da ACIC, que temia o deslocamento da fábrica de refrigerantes Gold Scrin, para outra localidade, motivada pelas más condições urbanas do local.

A Atuação da ACIC Trouxe Progresso para a Cidade

Na área da educação, a ACIC foi atuante durante o processo de solicitação da extensão da Universidade de Maringá para Cianorte, enviando por diversas vezes seus representantes para Curitiba em audiências com o secretário de educação da época, para intervir em favor de se providenciar o ensino superior para a cidade. Os pedidos não se restringiam somente a extensão da UEM, mas de qualquer outra instituição de ensino que viesse a beneficiar Cianorte no setor educacional.

Na área de saúde, a ACIC liderou os pedidos da comunidade de Cianorte e das cidades vizinhas, para trazer a agência do extinto INPS – Instituto Nacional de Previdência Social, visando melhor assistência médico-hospitalar para a população. Além disso, incentivou e patrocinou campanhas de vacinação contra a Poliomelite.

Na área social eram freqüentes as contribuições ao SOS e a aplicação de orientação para organizar os Engraxates, que na época eram crianças carentes que ajudavam no sustento de suas famílias, engraxando sapatos pelas ruas. Também realizou diversas campanhas do agasalho. Liderou campanhas para angariar fundos para a fundação de entidade de assistência ao menor desamparado. Incentivou a reestruturação da Guarda Mirim na cidade.

Na área de Segurança Pública, brigou pela instalação da Cadeia Pública e pelo aumento do número de contingente policial para a Cianorte.

Em assuntos mais pertencentes a sua área, atuou para estabelecer horário de funcionamento de abertura e fechamento do comércio. Conquistou o direito de instalação de um escritório da Junta Comercial do Paraná, quando foi escolhida entre sete cidades do estado para congregar quarenta e cinco municípios. Trouxe os primeiros cursos de formação que visavam a promoção de vendas e a orientação comercial. Atuou para combater o prejuízo causado a Cianorte pelo grande fluxo de mercadorias do município, que na época eram faturadas em outras localidades, incentivando a instalação de postos fiscais nas saídas da cidade e de seus distritos, para evitar tais fluxos de mercadorias e aumentando assim a arrecadação municipal. Lutou pela regulamentação do horário de trabalho em época de festas, indo de encontro ao código de postura do município que acabou revendo seu posicionamento e permitindo o horário especial. Nos serviços, o mais importante foi a implantação do SPC – Serviço de Proteção ao Crédito, em julho de 1973, sob a supervisão do senhor Oswaldo Tonelli, destinado a facilitar concessão de crédito ao público em geral, mantido mediante contribuição, assegurando aos usuários a máxima garantia em suas transações crediaristas.

O Patrimônio Acompanhou a Evolução de um Ideal

Impossível não notar, quem passa pela Avenida Santa Catarina 683, se depara com a sede da Associação Comercial e Industrial de Cianorte, inaugurada no dia 27 de novembro. Uma construção suntuosa, sonhada e merecida pelos seus associados.

A ‘família’ ACIC cresceu, se desenvolveu e a ‘casa’ ficou pequena para seus mais de 400 sócios. Foi então que em 2007, na gestão do empresário José Augusto Plácido, que seu conselho administrativo cogitou a possibilidade de procurar a doação de novo terreno para a construção de melhores instalações para Associação Comercial e Industrial de Cianorte. A partir deste ano, o que era um sonho tomou status de projeto e pela interferência do empresário Orlando Brugin, começou a ser concretizado, com a aquisição de terreno conseguido junto a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Com o terreno em mãos, foi sugerida a venda da sede onde a ACIC funcionava, como forma de conseguir parte do dinheiro necessário para a realização do projeto pretendido.

Um projeto de arquitetura precisa atender o sonho das pessoas, no caso da ACIC Cianorte, de centenas delas, que são os associados. Nosso prédio precisava ser um lugar lindo e funcional e, foi essa a solicitação da diretoria administrativa quando procurou o escritório de arquitetura. Já nas primeiras reuniões, a diretoria passou o briefing do que seriam as necessidades da associação, para então ser desenvolvido o projeto que resultou na elogiada edificação de sua nova sede.

A linha do projeto é limpa e proporciona uma leitura rápida do ambiente. O espaço claro e arejado graças a parede inteira de vidros, que compõe com inúmeras janelas, facilitam as condições para a climatização e iluminação de todas as salas ocupadas pelos colaboradores. Tudo isso foi pensado para que o prédio não tivesse um custo de energia muito alto, por exemplo, além de proporcionar a interação com o exterior, saindo do lugar comum de ambientes de trabalho fechados em 4 paredes.

Inteligente e contemporâneo é outra definição para o projeto, que acabou assimilando uma condição da sociedade atual, que aponta para a necessidade de interação entra as pessoas e, delas com o ambiente exterior. O projeto em uma visão mais ideológica, deixou de lado o individualismo e incentiva o cooperativismo, já que não poderia ser diferente, por ter a função final de abrigar uma associação.

Conquistando Seu Espaço e Incentivando o Centro Cívico

No projeto de Jorge de Macedo Vieira, que define a forma urbana de Cianorte, já era prevista a construção de um Centro Cívico, mas questões econômicas impossibilitaram sua implantação na primeira fase. Segundo trabalho apresentado no I Seminário de Engenharia Urbana da Universidade Estadual de Maringá, no final da década de 1950, a C.M.N.P. – Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, lança o que seria sua ‘menina dos olhos’, a cidade de Cianorte. A cidade fazia parte de um plano estratégico para a ocupação da região. O plano consistia na criação de centros urbanos maiores a cada 100 km para até 200 mil pessoas, centros menores a cada 15 km para 10 a 20 mil pessoas e patrimônios para 5 mil pessoas. Estas cidades menores serviriam como centros de abastecimento para as propriedades rurais do entorno, enquanto as maiores abasteceriam as demais. Cianorte é a terceira e penúltima cidade pólo implantada.

A forma com que Cianorte e as demais cidades no norte do Paraná foram distribuídas, demonstra características de concepção inglesa do town and country planning. Esta característica é peculiar à região e difere do planejamento das demais áreas brasileiras. O plano de Cianorte, remete à cidade-jardim de Howard. O desenho, baseado na carta topográfica dos funcionários da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, seguia as características do terreno e ainda diretrizes de zoneamento da Carta de Atenas.

Como o Centro Cívico, recentemente retomado com a construção entre outras obras, do Fórum, do Paço Municipal e da nova Sede da ACIC, não foi implantado na época de seu planejamento, isso forçou a mudança do centro da cidade da avenida principal, Brasil, para uma avenida secundária, Souza Naves. Hoje com mais uma obra realizada, a nova Sede da ACIC, o Centro Cívico toma proporção significativa com suas belíssimas construções e é um motivo de orgulho para toda a população cianortense.